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Conversando com os meus botões

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Amizade, no último fim de semana resolvi ter uma conversa muito séria com os meus próprios botões, num esforço para me descobrir.

Eu, que provoquei mudanças de hábitos de muitas pessoas que passaram a parar, para me escutar, às 5 da tarde, estarei no caminho certo? O que falo diariamente neste microfone é a expressão da verdade e contribui para esclarecer as pessoas que estão do outro lado do aparelho receptor? Será que não estarei induzindo os meus ouvintes a contestarem indevidamente isto ou aquilo com os meus comentários sobre fatos que ocorrem à nossa volta?

E você, amizade, já parou para pensar que posso estar apenas interpretando um papel, com o objetivo de angariar simpatias, ganhar dinheiro fácil ou conquistar votos na próxima eleição? Você já se perguntou quem sou eu, de onde venho e o que pretendo com os meus comentários, às vezes contundentes, outras vezes irreverentes ou até impertinentes, que acabam gerando ameaças e caras feias? Não serei eu, Sizemar Sebastião Silva, mais um enganador, pregador de boas maneiras e de respeito às leis quando, longe das luzes da ribalta, posso fazer exatamente o contrário? Quem sabe, não estarei neste momento tramando um grande golpe contra a sociedade local para depois fugir na calada da noite com uma mala cheia de dinheiro?

Quantas pessoas que me ouvem conhecem o passado de um tal Sizemar Sebastião Silva, que se diz jornalista, apareceu por aqui de repente e se apresenta como um dos donos da Nossa Voz FM? Quem sou eu, que falo de tudo um pouco, às vezes assumo a postura de um juiz de costumes e ainda ouso fazer incursões no campo da religião, falando sobre Campanha da Fraternidade, grupo de jovens e encontro de casais? Será que não sou um louco, um sujeito metido a besta ou um irresponsável, interessado apenas em usufruir benefícios da boa posição que agora desfruto na sociedade farturense?

Amizade, você, por acaso, em algum momento da sua agitada luta pela sobrevivência, já parou para pensar que eu posso ser um grande farsante, interessado apenas em ludibriar meus semelhantes? Se você nunca parou para formular tais perguntas, eu creio que é chegada a hora de fazê-lo, porque um dia será chamado a manifestar sua opinião. Eu não sou candidato a nada, mas lhe pergunto se, aqui e agora, não estarei lhe aplicando um conto do vigário, como aqueles políticos que prometem mas não cumprem?

Amizade, pense nisso: sou o que sou ou o que quero que você acredite que sou?

Uma certeza eu tenho: depois que cheguei, muita gente já não dorme mais tranquila, por causa do que sou e do que sei.

(Fartura – 10/03/1992)

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