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Moço, me paga um café com leite?

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Amizade, eu ouvi  isso ali na cracolandia, a região mais em evidência, hoje, na cidade de São Paulo.  Foi neste domingo, 13 de janeiro de 2013, numa esquina da Praça Júlio Prestes com a rua dos Andradas.

Um cidadão, com sua bicicleta, acabava de chegar ao estabelecimento da esquina, misto de restaurante, lanchonete e bar.  Ao estacionar, uma mulher, trajando roupas sujas, esfarrapadas, de idade indefinida, talvez 20, quem sabe 40 anos, fez-lhe o pedido. Eu ouvi, bem como reparei na indiferença dele. Sorriu e entrou, sem sequer responder.

Eu, que não tinha nada com o episódio, fiquei  constrangido. Sempre digo não aos pedidos de  “uma moedinha” feitos pelos pedintes da região, mas nunca recuso comida para aqueles que me pedem algo para comer. Afinal, a tal “moedinha” vai parar, invariavelmente, na gorda conta bancária de um traficante de crack e outras drogas, enquanto a “comida” acaba dando mais esperança de vida para os “zumbis” da cracolandia.

Ao ouvir o pedido da mulher, eu chorei, graças a Deus. O óculos escuro escondeu minhas lágrimas, enquanto caminhava para a feira-livre, lá no fim da rua dos Andradas, esquina com a famosa Avenida Ipiranga. No trajeto, pensava nessas tão estardalhosas “operações cracolandia”, que conquistam tanto espaço na mídia e a simpatia da nossa população, mas não resolvem o problema dos viciados em crack, que apenas usam um espaço público que recebe todos os tipos de atitudes e manifestações. Para mim, não são os viciados em drogas que precisam sair das ruas, mais sim os traficantes encastelados em seus esconderijos, pois são eles os responsáveis pelo agravamento dos problemas na área da saúde pública. Afinal, e no final das contas, os viciados, sem eira nem beira, abandonados e doentes, encontrados nas calçadas das nossas cidades, acabam sendo levados aos postos de saúde e hospitais públicos ou encaminhados para “abrigos” ou “casas de recuperação”, gerando aumento substancial dos gastos públicos na área da saúde.

Porque não dar prioridade à caça aos responsáveis pela desgraça dessa gente simples, que são os traficantes de drogas? É nas contas bancárias deles que vão parar as “moedinhas” que nos pedem os frequentadores da cracolandia! Porque é tão fácil montar operações contra corruptos em geral (e políticos, em particular)? A Polícia Federal não pode fazer escutas telefônicas e a Receita Federal não pode verificar declarações de renda de pessoas que ostentam padrão de riqueza sem ter fontes de renda compatíveis, como emprego ou profissões definidas?

Os “zumbis” da cracolandia vão continuar existindo, enquanto as “autoridades constituídas” não voltarem sua atenção para a necessidade de “engaioloar” os traficantes, principais responsáveis pela degradação de milhares de crianças, adolescentes, homens e mulheres, dependentes das drogas.

Amizade, perguntar não ofende: Tais “autoridades” (principalmnete deputados e senadores que recebem até décimo quinto salário, entre outras regalias) não agem contra os “reis do tráfico” por medo, complacência, interesse pessoal ou descaso para com os que os elegem e depois morrem nas ruas, vítimas das drogas? Parece que acabaram (ou pelo menos reduziram) as atividades dos bingos. O que impede uma ação devastadora contra o tráfico de drogas?

Até quando teremos que ouvir, constrangidos, nos centros degradados das nossas cidades, o pedido:

Tio: estou com fome. Pode me pagar um salgadinho?

Gente, o Bolsa Família não é a solução para todos os problemas do povo brasileiro! 

 

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