Adbox

Que sorte, a desses f.d.p., hein?

LightBlog

É, amizade, foi o que eu ouvi logo depois do bárbaro assassinato de 12 estudantes de uma escola do Rio de Janeiro. Tratava-se de uma referência à ação dos policiais militares que chegaram primeiro ao local da ocorrência. Como se sabe, eles enfrentaram o atirador, que se suicidou, e ajudaram as crianças assustadas e desnorteadas a saírem do prédio da escola.

A referência, aparentemente nada elogiosa, foi ouvida em local público, onde mais de uma dezena de pessoas assistiam pela TV as imagens chocantes da chacina das crianças cariocas. Inicialmente, fiquei chocado com a aparente falta de sensibilidade da platéia diante da ação precisa dos policiais, que viraram heróis nacionais por força das circunstâncias. Depois, percebi que se tratava de um elogio do povo simples à pronta intervenção da dupla, o que impediu uma tragédia maior. Para mim, os policiais não tiveram sorte, mas uma noção exata do que significa “cumprimento do dever”, numa profissão onde outros teriam agido de forma diferente.

Os policiais, que atendiam a uma ocorrência de rotina, deram crédito ao relato de uma criança que escapou à ação assassina do atirador e foram imediatamente ao local da matança. (É oportuno lembrar que lá mesmo, no Rio, não faz muito tempo, policiais militares foram chamados para socorrer uma pessoa que estava sendo assaltada, liberaram os bandidos e foram embora levando os pertences da vítima, inclusive os tênis que usava). Na escola municipal, a dupla de policiais arriscou a vida ao procurar e enfrentar um atirador bem armado e bem treinado. Eles apenas cumpriram, e muito bem, a missão para a qual foram preparados.

Os policiais viraram heróis porque o País carece de pessoas que exerçam as profissões que escolheram com zelo, dedicação e amor, pensando primeiro no bem estar do próximo, que lhe paga o salário. Ao contrário do que acontece agora no Rio, temos em São Paulo uma Polícia Militar humilhada e envergonhada pela ação de dois de seus integrantes, acusados por uma testemunha de executarem um homem já baleado e algemado, em um cemitério de Ferraz de Vasconcelos. Foi um ato covarde, que deixa envergonhados não apenas os paulistas como também os heróis da nossa PM, até mesmo os que já estão no túmulo.

Serão heróis, também, neste País, os policiais, sejam civis ou militares, que pegarem os chefes (e não as mulas) do tráfico de crack, comercializado impunemente no Centro Velho de São Paulo. Os nossos políticos, em todos os níveis, também poderão ser elevados à categoria de heróis, sem necessidade de arriscarem suas hoje pouco produtivas e não muito valiosas vidas. Basta que cumpram as promessas de campanha, priorizando as necessidades do povo, em vez de beneficiarem a si próprios com salários polpudos, bem como os seus parentes, premiados com cargos que não exigem concurso, nem presença. É paletó no encosto da cadeira e salário de marajá na conta bancária.

Amizade, no Brasil de hoje, qualquer um que cumprir apenas o seu papel de cidadão, poderá ser candidato a herói. Os dois policiais do Rio merecem sim, elogios e parabéns das pessoas de bom senso. Nem tanto por enfrentarem um atirador maluco, que é trabalho de qualquer agente da lei, mas principalmente porque  contribuíram para uma melhor avaliação do papel que o ser humano deve exercer hoje na sociedade.

PS: A classe dominante vai continuar alheia ao sangue, suor e lágrimas derramados pelos que movimentam a economia deste País, via impostos escorchantes, ou descerá do seu pedestal para repartir igualitariamente o pão, o peixe e o vinho, que hoje abundam apenas nos redutos daqueles que circulam em torno do poder?

0 Comentário(s):

    Ainda não há comentários.