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Sem ressentimentos, amizade

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É isso mesmo, meu caro interlocutor desconhecido. Tenho certeza que não mereço as preocupações que estou enfrentando agora. Afinal você era um anônimo, que deixou um bilhete debaixo da minha porta e nunca disse porque queria me encontrar. Desconfiei da sua atitude, reagi, desafiei, provoquei, mas você não provou quem era, nem disse o que tinha em mãos pra me entregar. Você me ameaçou, eu te ameacei. Você me denunciou, eu e minha mulher fomos interrogados e eu acabei denunciado. Eu e ela passamos por humilhações públicas, enquanto você, até hoje no anonimato, usou contra mim uma ligação telefônica que não teve testemunhas.
 
Pela sua profissão, sua palavra tem mais força que a minha. No boca a boca, fiquei em desvantagem, mas avaliei que recorrer a um processo longo, custoso e estressante, com resultado incerto, seria pior ainda. Você ficaria na arquibancada, assistindo tudo, enquanto eu teria que recorrer aos testemunhos de um ex-Juiz de Direito lá de Fartura, de um pároco que hoje é Bispo, de um ex-prefeito e de pelo menos dois ou três conceituados ex-companheiros da Rádio Bandeirantes, ainda na ativa. Além do incômodo que causaria a tantas pessoas que admiro, ainda estaria obrigado pedir a quebra do meu sigilo telefônico, arcando com as custas da transcrição da nossa conversa, a minha prova principal.
Para que incomodar tantas pessoas, perder tanto tempo e gastar muito dinheiro, mesmo que o processo me ajudasse a desmentir algumas colocações equivocadas? Eu não te conhecia e até hoje não vi a tua cara, para te “pegar”, como está na intimação/acusação, e nem tenho “um histórico de conduta agressiva”, como descreveu a peça de acusação. Ainda aqui neste blog, brevemente, vou reproduzir o documento no qual foi baseada tal afirmação, e que sempre foi motivo de orgulho para mim. Além do mais, meu caro interlocutor desconhecido, não vou pagar “pena pecuniária no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais).
Durante a audiência de transação penal, no último dia 28, apresentei-me como jornalista desempregado (como estava na época dos fatos) e ainda não aposentado, trabalhando hoje, ainda sem registro em carteira, como vigilante de loja no Bom Retiro. Só para você ter uma idéia, meu caro interlocutor desconhecido, para pagar a pena pecuniária sugerida, que lhe favoreceria, teria que destinar quase 15 salários mensais, prejudicando a renda da família. Preferi deixar de lado o orgulho ferido de homem honrado e, com o meu advogado, negociei a “transação penal” pela prestação de serviço à comunidade em entidade a ser indicada ainda nesta semana pela Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE).
Vai ser difícil para mim, aos 63 anos de idade, trabalhar 10 horas como vigilante de loja e depois dedicar duas ou três horas de “atividade laboral” à comunidade, durante um certo período, mas encarei o desafio com grande satisfação. Há muito tempo, meu projeto era, após a aposentadoria, destinar parte do meu tempo à comunidade, trabalhando em prol de crianças, idosos e pessoas com necessidades especiais.
 
Afinal, é mais valioso um bom acordo (que vai favorecer a sociedade) do que uma longa demanda, com final incerto. Acabei conseguindo isso, graças a você, meu interlocutor desconhecido, que escreveu num papel que era um Oficial de Justiça, mas nunca provou, nem entregou a intimação para uma negociação que eu e minha mulher buscávamos há cinco anos.
Por causa das suas declarações distorcidas, eu recebi um Mandado de Intimação, mostrei a cara, fui à audiência de transação penal. Você, em nenhum momento, mostrou a sua cara. Para seu consolo, meu caro interlocutor anônimo, posso lhe dizer que você me ofereceu mais uma oportunidade de mostrar que ainda posso ser útil, prestando serviços à comunidade.
E você, o que ganhou com sua atitude?
    
 
         

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