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Atenção às criancinhas

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Amizade, um episódio ocorrido lá na mansão deste Sapão merece registro, pois mostra para os pais que certas coisas não devem ser ditas na presença de crianças.

Eu, alguns parentes e amigos estávamos na cozinha externa, cuidando de algumas carnes, conversando sobre coisas da vida, trocando experiências e contando “causos” engraçados. Conversa vai, conversa vem, crianças trançando daqui e dali e as mulheres cuidando dos afazeres domésticos, num ambiente de total tranquilidade e descontração.

Em meio a esse clima, um dos presentes contou que quando se corta o bigode de um gato, o animal perde não só o faro, como também fica sem noção de equilíbrio, não conseguindo nem subir um degrau, etecetera e tal. Diante da incredulidade geral, o sujeito garantiu que era verdade o que dizia, porque quando criança havia cortado o bigode do gato da família, que ficou desnorteado por um bom tempo. Daí, passamos para outros assuntos, concluímos nossas tarefas e fomos cuidar de outras coisas, cada um para o seu lado.

No dia seguinte, o gato da mansão do Sapão apareceu sem o seu portentoso bigode, que foi cortado pelo meu filho número quatro, o raspinha do tacho. Na inocência dos seus quatro aninhos, ele admitiu que foi o autor da façanha, por um motivo bastante humanitário. Alegou que não queria ver mais o nosso gato, que atende pelo nome de Bil, caçando os passarinhos que vinham ciscar no nosso quintal. Apesar de ser um motivo valido, não foi uma atitude justificável, porque contraria a lei da natureza, mas é perdoável, por se tratar da reação de uma criança sugestionada pela conversa de um adulto.

Fica, porém, a confirmação de que conversa de adulto com criança por perto pode dar origem a peraltices. Agora, foi só o bigode do nosso Bil, mas amanhã pode ser coisa pior. Fique esperto, amizade.

(Fartura - 31/05/1991)

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