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Corrupção na Igreja

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Amizade, o alastramento da corrupção no Brasil é um caso sério, pois atinge vários segmentos da sociedade, induzindo um número crescente de pessoas a querer levar vantagem em tudo. O noticiário diário não me deixa mentir. O pior é que querem calar a imprensa, para que tudo seja jogado para baixo do tapete. Ainda agora, chegou ao meu conhecimento um caso ocorrido em Fartura (SP), digno de profundas reflexões por parte das pessoas que lutam por um mundo mais justo e melhor.
Um cidadão, convidado para padrinho de casamento, disse que esqueceu a carteira em casa, quando foi solicitado a dar uma contribuição, destinada às obras sociais da paróquia. Ele disse também que não tinha nenhum dinheiro trocado no bolso. A crença geral é que tal esquecimento pode ter sido proposital porque consta, na praça, que o tal sujeito não abre a mão para cumprimentar os amigos e nem quando vai fazer xixi.
Sem dinheiro, o cidadão esperou que todos os padrinhos assinassem o livro, para ficar por último e escapar do vexame de ter que pedir dinheiro emprestado diante de testemunhas. Com a maior cara de pau deste mundo, ele assinou o livro e foi saindo de mansinho, quando o padre lhe pediu uma modesta contribuição à igreja, como fizeram todos os demais, espontaneamente. Sua resposta, já fora da sacristia, foi propor ao pároco que, quando precisasse de uma dentadura era só passar lá na casa dele, que teria uma de graça.
Amizade, você não acha que esse cidadão tentou corromper o religioso para comprar sua futura entrada lá no céu? Será que ele imaginou que com uma simples dentadura conquistaria as boas graças do representante divino aqui na Terra?
Pior aconteceu depois, quando chegou ao conhecimento dele que eu sabia do acontecido e pretendia relatá-lo aqui no “Hora da Notícia”. O fabricante de dentaduras me encontrou no Big Bar, saboreando um “rabo de galo”, e se ofereceu para pagar o meu aperitivo preferido em troca do meu silencio. Claro que a dentadura valia muito mais que a mistura de Cynnar, Velho Barreiro e uma pedra de gelo, mas recusei, porque não há dinheiro que compre o meu silencio. Alem disso, continuo com todos os meus dentes até este momento.
Acho que o fabricante de dentaduras merece cumprir uma rigorosa penitência, embora já tenha sido castigado pela natureza, pois tem menos de um metro e meio de altura. Só que São Pedro precisa ficar esperto a parir de agora, porque esse cidadão é capaz de tentar entrar no céu pelo buraco da fechadura.
(Sizemar Silva em 09/01/1994, na Radio Voz do Vale FM, hoje Nova Voz FM, de Fartura – SP)
OBS: Neste momento em que a imprensa é tão ameaçada por divulgar quebra de sigilo fiscal, tráfico de influência e corrupção, é oportuno lembrar o que disse Martin Luther King, que lutou contra a segregação racial nos Estados Unidos:
“O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silencio dos bons.”                      

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