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Missão cumprida

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Pelo menos me parece que foi. Eu não medi esforços para que isso acontecesse.

O programa de Olho na Notícia foi transmitido normalmente no seu horário habitual, na quinta-feira, 17, pela TV Aberta São Paulo. Bem, está certo que isso acontece rotineiramente há alguns anos, por iniciativa do veterano e conceituado jornalista Newton Flora, criador da NF Comunicações S/C Ltda. Normalmente, é ele quem elabora a pauta, escolhe os convidados, telefona para eles, marca o horário das gravações, sejam externas ou no estúdio, e faz as entrevistas.
 
Acontece que as correrias, tensões e preocupações vividas pelos jornalistas, especialmente os independentes, tem o seu preço, algumas vezes um tanto elevados. A fatura foi apresentada ao Newton Flora no sábado, dia 5, quando começou a sentir um estranho cansaço e palpitações prolongadas no coração, que já parecia acostumado às emoções fortes. Ele foi parar no hospital com uma artéria obstruída, passou por cateterismo e angioplastia, com direito a uma temporada de seis dias na UTI.
 
O criador do De Olho na Notícia Virou notícia no seu próprio programa, mas antes era preciso que a transmissão não fosse interrompida. E sabe quem cuidou disso? Este escriba aqui teve que encarar, pela primeira vez, o desafio de produzir um programa de reportagens para a televisão. Amizade, eu tenho mais de 40 anos de militância no rádio, onde já fiz de tudo, mas tive alguma intimidade com TV, a não ser assistir o que a telinha transmite. E aí, cai no meu colo a responsabilidade de fazer as entrevistas diante de uma câmera! Menos mal que duas delas foram marcadas no estúdio da NF Comunicações, o que facilitou as coisas para o meu lado, embora tenha estranhado o tamanho da minha cara no monitor e ficado com a mão tremula ao segurar o microfone. Mas juro que não afinei a voz diante dos convidados, o advogado Dr. José Paulo Escannapieco e  o consultor de trânsito do programa, Luiz Abel.
 
A terceira matéria tinha que ser gravada em meio a uma assembléia salarial do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de São Paulo, o Sinsaudesp. Sem dispor de condução própria, na véspera avisei o nosso meticuloso cinegrafista, Thiago Lourenço, que sairia mais cedo do estúdio, pegaria o Metrô na Estação Vila Mariana, desceria na São Joaquim e seguiria a pé até a sede do Sinsaudesp, na Rua Tamandaré,  levando comigo a enorme mochila com o equipamento de filmagem. No dia seguinte, ao chegar ao estúdio, o Thiago me apresentou um capacete e disse que me levaria para a entrevista na garupa da motocicleta dele.
 
Gente, eu nunca subi numa máquina dessas nos meus 63 anos da vida! Além disso, já fiz várias críticas aos motoqueiros, em razão dos abusos cometidos por muitos deles. “Você tem medo de andar de moto?”, desafiou o rapaz, diante do nosso competente editor de imagens, o jovem Henrique Elifas de Souza Andrade. E o que acha o amigo leitor que eu respondi? Engoli em seco e segui o meu piloto, porque o tempo passava e a matéria precisava ser feita a qualquer custo, pois o programa tinha que ser fechado e encaminhado para a TVA ainda naquele dia.
 
Acomodado na garupa da moto, com a mochila de equipamento entre eu e o Thiago, não tive tempo de sentir medo, porque só via ele, do pescoço para cima, e os carros que passavam dos lados ou ficavam para trás.  Com uma das mãos, eu segurava a preciosa mochila e com a outra agarrava a lateral da moto, para firmar o corpo e evitar uma possível queda. Só nas curvas, quando a moto deitava de um lado ou do outro, é que eu ficava um tanto desnorteado, sem saber como agir. Entortava também o tronco do corpo do lado que ela deitava ou ficava com ele ereto? Oh, dúvida cruel, que persistiu durante todo o trajeto de ida e volta. E nem tive tempo para esclarecê-la durante a minha corrida contra o relógio. Confesso também que nem percebi se meu coração bateu mais aceleradamente durante essa aventura inédita na minha vida. Só sei que restou a satisfação de mais uma missão cumprida. “Cara, preciso me cuidar para não perder meu lugar pra você”, disse o convalescente Newton Flora, por telefone, após assistir o programa.
 
Agora, cá pra nós: já que o INSS acabou com a aposentadoria especial para jornalistas após 25 anos de contribuição, eu tenho certeza que a minha proeza é digna de um bom adicional de periculosidade.
 
Amizade, não há barreira intransponível quando a gente gosta do que faz, ou faz o que gosta.

 

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