Adbox

O nome dele é Rodrigo

LightBlog

Trata-se de um pimpolho de uns 9 anos de idade, tão falante quanto um papagaio. O guri grudou em mim, hoje, por cerca de meia hora. Foi o tempo que a mãe e a irmã mais velha dele levaram para fazer uma compra lá na loja de acessórios femininos onde trabalho como vigilante.

Quando a família apareceu na porta da loja, o garoto foi logo reclamando para a mãe que estava cansado de percorrer lojas. “Outra vez, mãe? Eu não vou entrar! Vou ficar aqui na porta com o segurança!”
A reação materna veio a seguir: “Porque isso agora, menino?” “Porque eu estou cansado e porque o segurança pode me proteger de um sequestro”, respondeu o pimpolho, sentando-se no chão, ao meu lado. Surpreso com a situação inusitada e motivado pela confiança que o Rodrigo depositava em mim, disse à mãe que eu olharia por ele, enquanto ela e a filha circulassem pela loja.
Assim que as duas começaram a percorrer o estabelecimento, o guri se abriu comigo, falando da sua performance na escola, da família, das várias lojas que já tinha entrado, do prazer que sentia quando viajava no Metrô, do dinheiro que tinha no bolso, quanto tinha na carteira que deixara no carro do pai e do empréstimo de R$ 1,50 que fizera à mãe naquele dia. Eu tinha que ouvir tudo isso e ainda prestar atenção ao movimento dentro da loja, especialmente da mãe e da irmã dele, porque de vez em quando ele queria saber o que elas estavam fazendo.
Num determinado momento, o pimpolho pediu que eu adivinhasse a idade do pai dele. Acabei acertando na terceira chance que ele me deu: 41 anos. Aí, ele quis saber quantos anos eu tenho e reagiu com espanto, quando soube que eu beirava os 64 anos. “Nossa... Não parece! Pensei que tinha uns 38 anos”.
Amizade, o pimpolho só me viu por breves momentos, mas avaliava que eu era mais moço que o pai dele. Fiquei envaidecido, é claro. Primeiro pela confiança dele na minha eficiência, ao me adotar como seu segurança. E depois, na sua pouca idade e santa inocência, por declarar que eu era bem mais jovem do que realmente sou. O Rodrigo não é o primeiro a me rejuvenescer tanto, mas é a primeira criança no grupo daqueles que me dão uma idade menor do que a que pode ser conferida na minha Certidão da Nascimento.
Fico pensando se esta situação não é criada pela minha atual paz de espírito e pela disposição que ainda tenho de enfrentar os desafios que surgem pela frente. Capricorniano, sou persistente e perseverante. Para mim, a vida não é tão difícil de ser vivida. Somos nós que a tornamos complicada, pensando que carregamos os maiores problemas do Mundo, quando as dificuldades de alguns dos nossos semelhantes são tão grandes quanto o Universo.
Obrigado, Rodrigo. Neste dia, você me deu mais ânimo para continuar enfrentando desafios e superar barreiras, sempre pelo bem dos meus semelhantes. 

0 Comentário(s):

    Ainda não há comentários.