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O povo pede: por favor, devolvam a “Nossa Voz”

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Amizade, por onde eu ando, em Fartura, sempre ouço pelo menos uma voz me dizendo "acabaram com a nossa rádio"! Entre as 14 hs. deste sábado, 23, e as 12 hs. deste domingo, 24, foram pelo menos 5 desabafos no mesmo sentido.

Já em dezembro de 2016 eu havia sido intimado por algumas pessoas a  tomar uma atitude em prol de uma mudança na programação da Rádio A Voz do Vale FM, hoje com o nome fantasia de "A Nova Voz".  Essas pessoas recorrem a mim porque um dia, em 1988, eu larguei uma carreira promissora de jornalista na Rádio Bandeirantes AM, de São Paulo, para vir montar e fazer funcionar a primeira emissora de rádio FM da região. Tirei quatro rapazes do então serviço de alto-falantes da Praça 9 de Julho e aproveitei como locutores daquela rádio que alguns despeitados, incluindo alguns políticos e imitações de coronel manda-chuva, diziam que "não subia a serra nem atravessava o alagado”.

A resposta era dada, inicialmente, no final da tarde, no "Hora da Notícia", onde eu denunciava as mazelas dos aproveitadores de plantão. Depois, veio mais uma "luz sobre Fartura", em cima da torre que instalamos no alto da serra, visível a longa distância. E a "Nossa Voz" foi mais longe, divulgando as coisas boas de Fartura e região, sua gente obreira e suas festas concorridas e encantadoras.

A “Nossa Voz” foi a primeira FM da região a transmitir jogos de futebol e corridas de São Silvestre! Transmitiu também os sorteios de prêmios da saudosa Cooperativa de Consumo do Vale da Fartura e da Associação Comercial e Industrial de Fartura, a ACIF, bem como as missas nos dias da Padroeira da cidade, Nossa Senhora das Dores, e até as procissões de Corpus Christi! Havia criatividade, pioneirismo e religiosidade, sem fanatismo ou pieguismo, na ”Nossa Voz”, amizade.

Por razões alheias a este comentário, a sociedade repassou a rádio à Igreja Católica, para que continuasse difundindo música, educação, cultura, notícias e alegria. Isso realmente aconteceu no início, mas de uns tempos para cá houve uma reviravolta profunda na programação, com uma profusão de programas e músicas religiosas em sua programação, que derrubaram a audiência. Antes o som da "Nossa Voz" fazia eco na cidade, onde era ouvido na maioria das residências, estabelecimentos comerciais e nos rádios dos carros. 

O povo de Fartura tinha prazer de ouvir a sua rádio e orgulho da sua programação. Quando eu vinha de São Paulo para cá já procurava no rádio do carro a frequência 91,3 assim que saia da Rodovia Castello Branco para a Rodovia João Mellão! Agora, não dá mais não!

Além do mais, é inaceitável usar o microfone para pedir dinheiro ao ouvinte para garantir a manutenção de um programa, em troca de uma benção do locutor! Na Igreja, a gente recebe benção de graça, acompanhada de água benta, de um padre que tem uma longa formação, a partir do seminário! Quem sustenta programa de rádio é anunciante! É uma loja, um açougue, um banco ou outro estabelecimento qualquer, que aposta na capacidade de comunicação do apresentador, na qualidade e na audiência do programa! Do ouvinte, o que se deve pedir é que opine sobre o programa, ou dar-lhe a oportunidade de escolher a música de sua preferência!

É preciso repensar a programação da "Nova Voz", porque hoje ela está pior do que o antigo e saudoso serviço de alto-falantes da Praça Nove de Julho, onde o povo tinha vez e tinha voz!  Que saudade do locutor que anunciava: "Esta próxima música é oferecida por FULANO para a linda moça loira, de olhos azuis, vestido vermelho e sapato branco, como prova de muito amor". E lá vinha uma linda melodia!!!

Com uma programação eclética, diferenciada, a "Nova Voz" voltará a ser a "Nossa Voz", reconquistará sua audiência, ganhará inúmeros patrocinadores e terá um faturamento bem maior que o atual, que poderá ser revertido para as obras sociais da Igreja Católica.

A programação atual já caducou!

 Agora, não é mais a rádio que todo mundo ouve... Hoje, quase ninguém ouve!!!

Sizemar Silva, jornalista, radialista, escritor e artesão

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