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Operação caça-fantasmas

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Amizade, hoje vou falar sobre fantasmas, aqueles seres de outro mundo, que até há alguns anos assustavam a maioria das pessoas, mas que hoje acabam sendo motivo de diversão até da nossas crianças nos desenhos animados da televisão. A diferença, porém, é que a minha história de fantasmas não tratará de almas penadas do outro mundo mas de seres reais, que transformam o Brasil num país curioso, onde existem a população oficial e a população fantasma.

 

 

A população real é aquela que entra nos censos demográficos do IBGE, vive e sofre os problemas do dia-a-dia, como a crise econômica, a falta de empregos, o mal atendimento médico e a falta de moradias e ainda teme o futuro incerto neste gigante adormecido. Já a população fantasma é uma parcela da população real que recebe aposentadorias e benefícios fantasmas da Previdência Social ou salários polpudos em empregos fantasmas, como ocorre na área política e nos governos e empresas pertencentes aos três poderes da União, em prejuízo dos investimentos para o bem estar dos seres reais. Ainda agora, com o episódio das fraudes e das licitações super-faturadas e desvios de verbas, veio a público na área federal o grande número de aposentadorias e benefícios que estavam sendo pagos pelo país afora para uma população de segurados da Previdência cujo destino nem se sabia.

 

 

A Previdência Social está à caça, inclusive, daquele pessoal que se aposentou muitos anos antes do prazo normal, na flor da idade, lesando os cofres públicos e enganando os cidadãos que trabalham a vida inteira para depois se aposentar.  Já o servidor público fantasma é cria de políticos oportunistas que nomeiam ou indicam parentes para cargos públicos assim que se elegem, com a garantia de que receberão seus salários sem precisar trabalhar. Em muitos casos, os patrocinadores dos funcionários públicos fantasmas são políticos que para se eleger garantem aos eleitores que uma das suas prioridades será por um fim aos marajás do serviço público. Só que acabam patrocinando o surgimento de novos marajás com a nomeação de parentes para cargos aos quais não comparecem nem mesmo para receber o polpudo salário, geralmente depositado em conta bancária. E tem suposto caçador de marajá com parente ganhando salários em dois empregos, sem comparecer a nenhum, o que revela um verdadeiro apego pela vida oculta que os fantasmas gostam de levar. O pior é que enquanto o servidor fantasma ganha seu dinheirinho na moleza, seus colegas de serviço público dão um duro danado para ganhar um salário que muitas vezes mal dá para sobreviver.

 

 

É por isso que eu admiro a classe do servidor público, aquele de carreira, que independe do resultado de uma eleição para permanecer no emprego, pois acaba sofrendo pressões dos dois lados. Quando não é do público, que reclama da morosidade do serviço público, sem saber das causas reais, é dos políticos caçadores de votos que vivem fazendo pedidos ridículos que esperam ser atendidos prontamente, para agradar seus eleitores.

 

 

Em homenagem a esses servidores, convido a todos os que me ouvem a iniciarmos uma campanha de caça-fantasmas, para que o dinheiro que paga o salário deles seja aplicado em atividades mais úteis à população. Neste caso, você pode escrever ou telefonar dando nome, cargo e salário daqueles fantasmas que conhece e que vivem às custas do dinheiro dos impostos que pagamos, que eu garanto o anonimato do seu nome, para que não venha a sofrer represálias. Penso até em dar um premio para aquele que informar sobre o fantasma que recebe o maior salário ou aposentadoria.

 

 

Amizade, se você me levar a sério, vai se surpreender quando perceber que existe um fantasma da Previdência Social ou do Serviço Público vivendo ao seu lado. Boa sorte na sua caçada.

 

 

 

(Comentário transmitido em 24/06/91 na Rádio FM Voz do Vale, de Fartura (SP). Responda, se for capaz: Esse quadro mudou, de lá pra cá?)

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