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Porque estou feliz?

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Amizade,
Sai da cama mais tarde do que pretendia, fui muito tarde ao supermercado, gastei mais do que desejava e não almocei o que o meu estomago pedia.
Nada na TV me distraia. No rádio, nada para o meu espírito irriquieto acalentar. Várias tarefas iniciadas, nenhuma acabada. Mulher, filhos, irmão, tudo na contramão. O telefone tocava e, do outro lado, nada. Ninguém atendia, para que eu pudesse ouvir uma palavra.
Então, porque estou feliz?
Será que é por causa daquele móvel imóvel, ali na sala? Aquela velha mesa redonda, sem cadeira, nem eira nem beira? Aquela peça que desafiou a minha ociosidade e pôs à prova minha capacidade? Sem nenhum brilho, ela me tirou do trilho e me levou a lixá-la e a encerá-la, desviou-me de outros projetos, mudou meus pensamentos e afetou meus sentimentos!
Isso mesmo! Aquele móvel imóvel agora brilha! Passou a dominar o meu pequeno espaço, conquistou todo o ambiente! Depois da pequena atenção que lhe dediquei, ele ficou imponente, clareou a minha mente e me deixou contente! É uma coisa que, de repente, surgiu do nada. Aquilo que parecia que não existia, agora chama a atenção, tem vida própria!
Agora, o nada que havia no meu pequeno ambiente não é mais igual. O que não era, passou a ser, a existir! Uma velha mesa me deixou feliz, acabou com a minha mesmice, pôs um fim à minha chatice!
Amizade, olhe à sua volta. Alguma coisa só espera um gesto seu para acontecer, para ser, para brilhar, para te fazer feliz.         
(Texto de meados de 2004. A velha mesa, que conheci nos anos 80 na casa de um parente, já com uma longa quilometragem, ainda é uma grande companheira e continua prestando relevantes serviços à minha família, agora acompanhada por cadeiras que lhe conferem a dignidade que ela realmente merece - Sizemar Silva)            

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