Adbox

Reencontrando Jesus Cristo

LightBlog

Foi na Feirinha da Lua, realizada na noite de 06 de janeiro, uma quinta-feira, na Praça 9 de Julho, a principal de Fartura, cidade da Região Sudoeste do Estado de São Paulo. Eu e a Maria do Carmo, a primeira dama do meu barraco, passeávamos entre as barracas de comes e bebes e artesanato. A gente curtia também a música ao vivo de vinha de um palco armado no local e a algazarra das crianças em um play ground montado próximo do coreto, típico de cidade interiorana. Aqui e ali, parávamos para conversar com parentes da minha mulher e com amigos comuns, com os quais convivemos quando residimos na cidade, entre 1988 e 2003.

De repente, aparece à minha frente o popular Tonho, portador de um certo grau de deficiência mental, hoje na casa dos 40 anos. Sempre sorridente e prestativo, ele nunca perde uma oportunidade de me abraçar efusivamente e de conversar comigo nas minhas poucas e curtas visitas a Fartura. Papo vai, papo vem, o Tonho me fez uma revelação surpreendente: “Sizemar, eu guardo até hoje aquela plaquinha com a figura de Jesus Cristo, que você me deu de presente.” Reagi com espanto: “Tonho, eu não daria nem para a mulher mais linda do mundo aquela plaquinha, que ganhei da  minha saudosa mãe, pendurada numa corrente.” Gostava tanto dela, que entalhei meu nome na parte de trás, com um prego. Disse ainda ao Tonho que perdi a plaquinha na cidade e que ele deve tê-la achado ou então ganhou de alguém que a achou e não se lembrava mais.
Embora não seja uma pessoa supersticiosa, confesso que após perder o Jesus Cristo entalhado na plaquinha, que parecia feita de prata envelhecida, fiquei preocupado. Temia que ela tivesse caído nas mãos de alguém mal intencionado, que pudesse usá-la para fazer algum “trabalho de mau agouro” contra mim. Afinal, depois que a perdi, alguns acontecimentos desagradáveis perturbaram a minha vida em Fartura, afetando principalmente minha atividade como jornalista e como sócio da FM A Voz do Vale Ltda, que acabou sendo vendida, contra a minha vontade, para a Igreja Católica, por causa de desacertos na sociedade. Era vender ou perder tudo que investimos nela.
Ao saber do paradeiro da minha estimada plaquinha, desaparecida há uns 15 anos, disse ao Tonho que estava disposto a comprá-la. Era só ele fixar um preço. Meu amigo arregalou os olhos e logo em seguida me deixou, sem dizer nada. Voltei para São Paulo três dias depois, sem reencontrar o Tonho, mas com o coração aliviado. Enquanto meu Jesus Cristo continuar com ele, sei que estará em boas mãos, porque é uma pessoa reconhecidamente de boa índole, sem más intenções. Além disso, recusando-se a me vender a plaquinha, o Tonho revela que, apesar da sua deficiência, dá mais valor àquele objeto do que ao dinheiro. Deixa claro, também, que ao querer mantê-la, tem grande estima por ela e por mim.
Amizade, 2011 começou bem para mim. Quem reencontra Jesus Cristo e tem um admirador como o Tonho tem tudo para ser feliz.
(Sizemar Silva -12/01/2011)

 

0 Comentário(s):

    Ainda não há comentários.