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Sábado é dia de varejo

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É um dia em que tenho que ficar mais esperto ainda, porque pode vir chumbo grosso.
Neste sábado, lá na loja onde trabalho como vigilante, no bairro do Bom Retiro(SP), presenciei alguns acontecimentos interessantes. Minha obrigação é começar o expediente mudo e terminar calado. Aí, eu fico ali na porta, em um ponto estratégico, na maioria das vezes estático, algumas vezes indo prá direita e prá esquerda. Se essa postura é estressante para mim, imagine então para os funcionários do estabelecimento, que se desdobram para atender e contentar a todos que ali adentram.
Em dia de varejo, é curioso, quase ninguém me dirige a palavra, seja dizendo bom dia ou boa tarde, ao contrário do que acontece nos outros dias, quando os clientes de atacado cumprimentam na entrada e se despedem na saída. Em dia de varejo, a maioria que entra na loja vai pegando um cinto aqui, uma bolsa ali, sem consultar ninguém. Nada de perguntar se a venda é a vista ou a prazo, se a loja aceita cartão, cheque ou dinheiro. Quando se interessam por algum artigo, se a vendedora não está por perto, aí sim, se lembram do vigilante, que não faz parte da equipe da loja.
“Moço, como a gente vê o preço aqui"? A rigor, pelas orientações que recebi, eu devo encaminhar o cliente para uma vendedora. Mas como todas estão ocupadas, e eu aprendi alguma coisa no dia a dia da loja, respondo, para abreviar a “agonia” da cliente: “A etiqueta tem dois preços: um para atacado e outro para varejo. Para maiores informações, consulte a vendedora”. Nesse caso, amizade, eu descumpro minha obrigação de “entrar mudo e sair calado”. Fazer o que? Ninguém é perfeito.
Nessa loja, como em qualquer outra de gabarito, a gerência recomenda “não entrar comendo, bebendo, fumando ou com animal”. O aviso está lá na porta, bem à vista de quem entra. E eu tenho a obrigação pedir, com educação, às clientes “distraídas”, que respeitem essa determinação. Só não impedimos de entrar quem chega bebendo água. É um líquido que não faz mal a ninguém, não é mesmo? Ledo engano, amizade. Neste sábado, uma senhora chegou toda lampeira, com a garrafinha de água na mão, dirigiu-se a um cinteiro, pegou uma peça, levou-a à sua avantajada cintura e... lá foi um bom punhado de água pro chão. A garrafinha estava destampada.
Amizade, ela saiu da loja de fininho. Eu vi, pedi um pano e limpei, mais preocupado com algum escorregão de alguma pessoa do que com a sujeira que seria causada pela circulação dos clientes, que era intensa naquele momento. Ofereci-me para essa tarefa porque entendi que nessa hora não dava prá tirar da sua função nenhum funcionário da loja.
Ufa! O pior já passou!
Foi o que pensei, mas me enganei.
Loja ainda cheia, possíveis e bem vindos compradores mexendo em tudo, conferindo preços, tamanhos, larguras e coisa e tal. Aí, na minha frente, uma cliente, com uma bolsa na mão, procura a vendedora que lhe havia atendido. Não achou (porque, muito comodista, não foi atrás) e deixou a bolsa no primeiro local que julgou apropriado. Exatamente na bancada de uma promoção de bolsas. Lançou em meio a peças de R$ 9,90 uma bolsa na faixa de R$ 70,00 e foi embora. Eu vi e me mexi. Fiz o que não devia, de acordo com o "manual" sobre as funções de um vigilante de loja. Como todos os funcionários estavam atarefados, tirei a bolsa daquela bancada, para evitar um mal maior. Afinal, se outra compradora encontrasse a tal bolsa ali, certamente pretenderia levá-la pelo preço da bancada da promoção. Dependendo do temperamento da cliente, já pensou no bate-boca que viria a seguir, dentro da loja cheia, envolvendo até mesmo citação aos direitos do consumidor e coisa e tal?
Eu posso dizer que ninguém ali da loja errou. Foi um ato impensado de uma compradora apressada, que resultou em mais uma grande mancada.

Amizade,  segunda-feira, estaremos lá, com muita disposição, para o que der e vier.
Sabe, uma coisa eu aprendi: seja no atacado ou no varejo, o bom gosto feminino começa ali, na loja .... bee.

PS: Nesta quarta, completo 200 dias seguidos trabalhando na loja. Antes, havia rodizio de vigilante a cada semana. Acho que fui aprovado no teste.

              

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