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Ser criança

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“Obrigado vô, por se lembrar de mim!”
Amizade, quer algo mais gratificante que ouvir isso de um neto? E o pirralho só tem dois anos de idade!
Eu acabava de entregar para o Matheus um pequeno caminhão de madeira que fiz nas minhas horas de folga, que agora são muitas, porque estou desempregado. Para a irmã dele, Sofhia, de quatro anos, fiz um baú de madeira, estilo antigo, para guardar as bugigangas dela. Mais pragmática, ela só disse “obrigado vô”, mas o brilho dos seus olhos mostrava o quanto gostou do presente, tanto que não se separou mais dele durante o fim de semana que ficou lá em casa.
Juro que derramei sangue durante a confecção dessas peças. Fiz cortes em alguns dedos, farpas de madeira me espetaram, o martelo ficou íntimo de um polegar e de um indicador e a cola e o verniz teimaram em permanecer grudados nas mãos, mesmo após muitos esforços para removê-los. Nada disso tirou a minha satisfação de poder dar aos meus netos presentes personalizados, feitos artesanalmente, sem imitações.
Um terceiro neto está a caminho. Agora, mais estimulado pelo “obrigado vô”, já desenhei o brinquedo que vou fazer prá ele, quando tiver idade para poder curti-lo. Será uma locomotiva “Maria Fumaça”, também de madeira, igual à de um trenzinho elétrico que comprei para os meus filhos quando eram crianças. Vez por outra faço o nosso antigo trenzinho circular no piso da sala do apartamento, o que trás de volta o alarido que eles faziam e que agora é repetido pelos netos.             
(São Paulo, em 19/10/2010)

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