Adbox

Toda virada de ano é igual

LightBlog

Catástrofes desmascaram uma obscena gastança

“O início de cada ano-novo nos apresenta as mesmas imagens das catástrofes causadas pelas secas e chuvas”, escreve Roberto Damatta (estadão.com.br/cultura), quarta-feira, 11/01, sob o título “Catástrofes vergonhosas e gastanças obscenas”. O articulista lembra que “se todos os lugares estão sujeitos a acidentes nem todos respondem aos imprevistos de modo tão catastrófico como ocorre no Brasil (...) abençoado por Deus, cuidado pelo lulo-petismo, e bonito por natureza. Para ele, “o que os acidentes revelam no Brasil é uma gastança obscena e clientelisticamente direcionada. Ela expõe a gulodice eleitoral cujo alvo é enriquecer e permanecer no poder. Seu traço típico é distribuir pelo parentesco e pelos elos partidários. E assim jamais conseguimos sair do reagir para o proagir. As catástrofes desmascaram uma obscena gastança”.

Para Roberto Damatta, as catástrofes “também exibem a nossa profunda alergia ao republicanismo, pois os atingidos são sempre os "pobres": os que vivem na passividade cívica e que, graças a autoridades irresponsáveis, vivem em locais arriscados. Eles são o espelho de nossa alergia a igualdade que - levada a sério - nos obrigaria a optar por planejamentos urbanos destinados a todos. É ofensivo descobrir que "conjuntos populares" são construídos sem infraestrutura! Insulta testemunhar a ladainha dos aflitos conformados com a "vontade de Deus", sem a revolta contra os que foram eleitos para administrar a sua cidade e o seu Estado. No Brasil, as catástrofes naturais contribuíram para mostrar que o ministério destinado a socorrer o País, apenas ajuda a região à qual pertence o seu ministro. E a vergonhosa revelação de que tudo o que foi construído - barragens, estradas, diques, etc... - se desmantela nas primeiras chuvas porque foram malfeitas e sem dúvida (com as notáveis exceções de praxe) hiperfaturadas e construídas por empresários amigos de infância.

A despeito de toda enxurrada modernizadora que tem corrido debaixo da ponte brasileira, certos cargos são mais iguais do que outros. E, mais que isso, certos papéis sociais se confundem com seus ocupantes de modo que qualquer planejamento a longo prazo é impossível. O critério de nomeação é a família e a confiança; jamais a competência. Essa é a chave mestra - em que pese as ideologias - da administração pública à brasileira. O chamado nepotismo é o maior inimigo das rotinas administrativas responsáveis pelos ideais de justiça social”, completa Roberto Damatta.

 

 

0 Comentário(s):

    Ainda não há comentários.